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Efeitos da casca de almêndoa moída relativa ao farelo de trigo para reduzir o impacto do desmame em leitões

A suplementação com cascas de amêndoa nas dietas de desmame pode melhorar o desempenho e a saúde intestinal dos leitões após o desmame.

5 Junho 2026
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Têm sido propostas diversas estratégias nutricionais para atenuar os efeitos do desmame, sendo uma das principais a inclusão de fibra alimentar. As fibras alimentares são constituídas por fibras solúveis e insolúveis, e a sua importância reside no seu papel na melhoria da fisiologia intestinal.

Objetivo e métodos: Neste estudo foi realizada uma análise físico-química de cascas de amêndoa moídas com diferentes tamanhos de partícula e avaliados os efeitos da inclusão de 2,5% de casca de amêndoa como fonte de fibra insolúvel na dieta de leitões desmamados: casca de amêndoa moída fina (diâmetro médio geométrico, DMG: 529 µm); casca de amêndoa moída média (DMG: 912 µm); e casca de amêndoa moída grossa (DMG: 1525 µm), em comparação com 8% de farelo de trigo. Todas as dietas foram formuladas para serem isofibra neutrodetergente, isoenergéticas e isonitrogenadas. Após 14 dias do desmame, foram avaliados o desempenho de crescimento, a digestibilidade da matéria seca, a morfologia intestinal, a expressão relativa dos genes, a composição microbiana e a produção de ácidos gordos voláteis (AGV).

Resultados: Em termos de análise física, o farelo de trigo apresentou maior capacidade de intumescimento, solubilidade a frio e capacidade de retenção de água do que as cascas de amêndoa. Os leitões alimentados com dietas contendo cascas de amêndoa moídas fina, média e grossa apresentaram maior peso final, ganho médio diário e consumo de ração, bem como maior eficiência alimentar, comparativamente aos alimentados com farelo de trigo. A análise histomorfológica revelou um aumento da área da superfície das vilosidades e da espessura da mucosa no jejuno e íleo dos leitões alimentados com cascas de amêndoa. No cólon, os leitões alimentados com cascas de amêndoa moídas grossas exibiram uma maior profundidade das criptas do que os alimentados com farelo de trigo. Observou-se uma menor abundância relativa de Proteobacteria em todos os grupos que consumiram cascas de amêndoa em comparação com o farelo de trigo. A casca de amêndoa moída grossa resultou também numa maior produção total de AGV, bem como em maiores concentrações de butirato e propionato no conteúdo do cólon, em comparação com as dietas que continham casca de amêndoa moída fina, casca de amêndoa moída média e farelo de trigo.

Conclusão: Estes resultados corroboram os benefícios da inclusão de 2,5% de cascas de amêndoa na dieta de leitões desmamados, uma vez que melhoram o desempenho, a morfologia intestinal e a composição da microbiota. Em particular, as cascas de amêndoa grosseiramente moídas melhoraram a produção de AGV em comparação com o farelo de trigo.

Ruiz E, Martínez-Miró S, Madrid J, Ortega N, Sánchez CJ, Montalbán A, Ayala L, Pallarés FJ, Hernández F. Reducing the weaning impact in piglets with dietary fiber: the role of milled almond shells compared to wheat bran. Journal of Animal Science. 2026; 104: skaf420. https://doi.org/10.1093/jas/skaf420

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